19 setembro, 2011

Revolução Industrial (HISTÓRIA P6)


REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Ocorreram muitas transformações na sociedade européia entre 1820 e 1850. Embora continuasse sendo uma sociedade predominantemente agrária, a mentalidade empresarial começa a predominar na economia. As cidades crescem e se multiplicam. A indústria passa a ser o setor dinâmico da vida econômica.
Na Inglaterra, por exemplo, primeiro surgiram as fábricas de tecidos, depois de alimentos, bebidas e utensílios domésticos. O crescimento da população da Inglaterra exigiu uma modernização dos transportes. Isso ocorreu com extrema velocidade, mudando completamente a vida e os hábitos da população.
A invenção da locomotiva, para a economia inglesa, significou o barateamento dos transportes, estimulou a produção de carvão e de ferro, empregou muita mão-de-obra, abriu novos campos para o investimento lucrativo.
Os industriais e comerciantes investiam em seus próprios negócios e depositavam em Bancos os enormes lucros de suas fábricas e dos negócios. Os Bancos emprestavam dinheiro para novos empreendimentos, estimulando o crescimento. O investimento maior em ferrovias do que em rodovias, diminui os custos econômicos, visto que o transporte ferroviário é mais barato do que o rodoviário. Isso se refletiria no custo final dos produtos, beneficiando toda a população. O papel dos Bancos na expansão da indústria foi muito importante. Eles concentravam o dinheiro disponível na sociedade e o emprestavam para novos empreendimentos, estimulando o crescimento econômico.
O papel da Marinha no predomínio econômico inglês a nível mundial, foi imprescindível, pois a poderosa Marinha Inglesa garantiu o acesso aos mais distantes mercados. Isso facilitou o escoamento dos produtos da indústria inglesa. Por outro lado, facilitava também o transporte de matéria-prima para a produção industrial.
A partir do séc. XVIII, o fenômeno da Revolução Industrial provocou uma rápida mudança nas técnicas e nos instrumentos de trabalho, que por sua vez ampliaram os empreendimentos comerciais e aumentaram a produção.
No  período de 1780 a 1830 os países da Europa não reuniram tantas condições favoráveis para a industrialização como a Inglaterra. A Espanha possuía lã, mas não tinha carvão. Os estados alemães não possuíam uma burguesia empreendedora.
Os demais países europeus começaram sua industrialização bem depois da Inglaterra, pois esta reuniu condições favoráveis para sua industrialização pioneira, como: matéria-prima, regime político a favor, mercado consumidor, etc... os demais países da Europa tiveram que superar fatores adversos à industrialização, que não ocorreram na Inglaterra.
A Revolução Francesa criou dificuldades para a industrialização do país, embora no geral tenha sido um fato favorável. Ela criou milhares de pequenos proprietários com as distribuições de terras. Esses camponeses estavam voltados para uma economia de subsistência, não formando, portanto, um mercado consumidor.
Enquanto a indústria inglesa cresceu vendendo produtos baratos, a indústria francesa teve de se especializar em produtos de luxo. Isto explica seu baixo desenvolvimento.
O termo oficina é mais apropriado que indústria para designar as fábricas de meados dos século XIX, porque a maior parte delas eram pequenos estabelecimentos, sem nenhuma mecanização, com não mais de 5 operários.
A partir de 1830, podemos dizer que a Europa já estava fortemente marcada pela industrialização. O crescimento econômico foi acompanhado por profundas transformações sociais. A industrialização crescente exigia a ampliação dos mercados. O incremento da vida urbana fez crescer a classe média.
A relação existente entre os avanços nos campos da siderurgia e da metalurgia e o expansionismo europeu a partir de 1850 é que o progresso técnico nesses campos deu aos europeus uma grande superioridade militar, possibilitando a eles o domínio sobre vastas áreas do globo.
A industrialização consolidou o poder econômico da burguesia. O crescimento da administração pública engrossou as fileiras da classe média. Muitos camponeses europeus ainda estavam submetidos aos grandes proprietários de terras. A aristocracia rural mantinha ainda privilégios em várias regiões da Europa.
A derrota de Napoleão significou a vitória das forças contrárias aos ideais da Revolução Francesa. Com isso restaurou-se o poder dos reis destronados por Napoleão e os privilégios da nobreza e da Igreja. Com a derrota de Napoleão, a Europa foi tomada por uma onda conservadora.
Para o liberalismo, o objetivo máximo da sociedade é garantir a liberdade para os indivíduos que dela fazem parte. Esse princípio liberal é incompatível com o absolutismo monárquico. Essa incompatibilidade explica em grande parte as revoluções do séc. XIX.
Foi relativamente fácil para a aristocracia sufocar, em 1820, as aspirações liberais na Itália, na Alemanha e em Portugal, porque esses países eram economicamente atrasados e não possuíam uma burguesia e uma classe média capazes de dar maior consistência às revoltas liberais. Os fatores que contribuíram para a eclosão das revoltas liberais de 1830 foram: * fortalecimento numérico da burguesia e da classe média com a industrialização; * aconteceram em países economicamente mais desenvolvidos; * ocorreram em um momento de profunda crise econômica.
A burguesia passou a ter o controle sobre o povo após as revoluções de 1830 controlando a Câmara dos Deputados através de eleições censitárias (só quem tinha renda alta poderia ser eleito), proibindo associações populares e jornais de oposição e contando com a influência conservadora da Igreja.
Quem controla o poder político controla a sociedade, visto que é no nível político que as decisões mais importantes são tomadas. É claro que o poder econômico vai ter uma influência decisiva na seleção dos líderes políticos. Dessa forma, a burguesia enriquecerá ainda mais. Ela procurará colocar o governo, as leis, a educação, o Exército, a polícia, a Justiça e a religião a serviço de seus interesses e não das camadas populares. Segundo a burguesia, o mundo necessitava de progresso material. E ela se considerava o agente desse progresso. Então, nenhum obstáculo deveria ser colocado à expansão dos seus negócios, pois isso impediria o progresso.
A burguesia controlava a economia e era vista como agente de progresso. No entanto, o sistema legal continuava a privilegiar as classes tradicionais: o clero e a nobreza. Segundo a burguesia, a ascensão social devia se basear no talento e no esforço pessoal e não na tradicional e no sangue. Passavam a idéia de que todos poderiam ser bem-sucedidos, desde que tivessem competência.
A obrigação de todos obedecerem à Constituição foi extremamente benéfica para a burguesia porque eliminava a ameaça do absolutismo, e porque a Constituição era elaborada pelos representantes da burguesia, e, portanto, contemplava os seus interesses fundamentais.
Os regimes liberais estavam baseados no voto seletivo: o direito de voto concedido apenas a quem tivesse um certo nível de renda. Assim, a burguesia mantinha seu poder e controlava tudo.
Além da burguesia, a classe média e o operariado queriam também a igualdade política. O movimento democrático surgiu como oposição às limitações impostas pelo liberalismo. Segundo as idéias democráticas, o governo devia tomar medidas que diminuíssem as desigualdades sociais.

O Movimento Cartista ocorreu na Inglaterra na década de 40, os pobres ingleses reivindicavam o sufrágio (voto) universal, o voto secreto e o pagamento aos deputados por suas funções.
A Revolução de 1848 na França, fortaleceu a burguesia, destroçando a organização dos operários mediante dura repressão.
Quando o governo francês decidiu fechar as oficinas nacionais (não eram fábricas, mas obras públicas como construção de estradas, pontes, etc... que empregava as pessoas), os operários armaram-se para defendê-las, mas foram derrotados. Este movimento foi chamado de LUDISMO ou Quebradores de Máquinas.
O movimento revolucionário de 1848 se espalhou por toda a Europa. As lutas operárias conscientizam os operários e fazem nascer as idéias socialistas. A luta passa a ser contra as injustiças sociais e pela transformação social da sociedade.
Com os movimentos o poder da burguesia começou a ser abalado.
Por volta de 1850 a maior parte da classe operária inglesa vivia em situação degradante. A miséria era visível em suas roupas e habitações, ao passo que era também contrastante com o luxo da burguesia. Apesar das conquistas democráticas, a burguesia controlava a sociedade. Os operários trabalhavam de 14 a 16 hs por dia, mas recebiam baixos salários. A pobreza gerou problemas como crimes, assaltos, roubos, assassinatos. O governo nada fazia para melhorar a situação. A exploração ilimitada da classe trabalhadora gerou enormes lucros para burguesia.
O movimento operário inglês serviu de modelo ao movimento de outros países. Foi na Inglaterra que nasceu o operariado industrial moderno, suas lutas e experiências políticas serviram de orientação para os operários de outras nações onde a industrialização foi mais tardia. Os patrões não aceitavam associações e o governo baixou um decreto em 1799, tornando ilegal as associações de empregados e patrões. Os trabalhadores foram presos e processados, mas muitos patrões, por serem em menor número, se reuniam sem despertar suspeitas. Em 1824 o decreto caiu, e os trabalhadores puderam se organizar livremente e surgiram os sindicatos, que de 1825 a 1835 lideraram vários movimentos na Inglaterra. Faziam greves em busca de melhores salários e condições de trabalho. Os patrões reagiram não empregando os filiados em sindicatos. Os operários criaram, então, sindicatos secretos. Muitos operários foram presos, pois as associações secretas eram proibidas.

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