REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Ocorreram
muitas transformações na sociedade européia entre 1820 e 1850. Embora
continuasse sendo uma sociedade predominantemente agrária, a mentalidade
empresarial começa a predominar na economia. As cidades crescem e se
multiplicam. A indústria passa a ser o setor dinâmico da vida econômica.
Na
Inglaterra, por exemplo, primeiro surgiram as fábricas de tecidos, depois de
alimentos, bebidas e utensílios domésticos. O crescimento da população da
Inglaterra exigiu uma modernização dos transportes. Isso ocorreu com extrema
velocidade, mudando completamente a vida e os hábitos da população.
A
invenção da locomotiva, para a economia inglesa,
significou o barateamento dos transportes, estimulou a produção de carvão e de
ferro, empregou muita mão-de-obra, abriu novos campos para o investimento
lucrativo.
Os
industriais e comerciantes investiam em seus próprios negócios e depositavam em
Bancos os enormes lucros de suas fábricas e dos negócios. Os Bancos emprestavam
dinheiro para novos empreendimentos, estimulando o crescimento. O investimento
maior em ferrovias do que em rodovias, diminui os custos econômicos, visto que
o transporte ferroviário é mais barato do que o rodoviário. Isso se refletiria
no custo final dos produtos, beneficiando toda a população. O papel dos Bancos
na expansão da indústria foi muito importante. Eles concentravam o dinheiro
disponível na sociedade e o emprestavam para novos empreendimentos, estimulando
o crescimento econômico.
O
papel da Marinha no predomínio econômico inglês a nível mundial, foi
imprescindível, pois a poderosa Marinha Inglesa garantiu o acesso aos mais
distantes mercados. Isso facilitou o escoamento dos produtos da indústria
inglesa. Por outro lado, facilitava também o transporte de matéria-prima para a
produção industrial.
A
partir do séc. XVIII, o fenômeno da Revolução Industrial provocou uma rápida
mudança nas técnicas e nos instrumentos de trabalho, que por sua vez ampliaram
os empreendimentos comerciais e aumentaram a produção.
No período de 1780 a 1830 os países da Europa
não reuniram tantas condições favoráveis para a industrialização como a Inglaterra. A Espanha possuía lã, mas não tinha carvão.
Os estados alemães não possuíam uma burguesia empreendedora.
Os
demais países europeus começaram sua industrialização bem depois da Inglaterra,
pois esta reuniu condições favoráveis para sua industrialização pioneira, como:
matéria-prima, regime político a favor, mercado consumidor, etc... os demais
países da Europa tiveram que superar fatores adversos à industrialização, que
não ocorreram na Inglaterra.
A
Revolução Francesa criou dificuldades para a industrialização do país, embora
no geral tenha sido um fato favorável. Ela criou milhares de pequenos
proprietários com as distribuições de terras. Esses camponeses estavam voltados
para uma economia de subsistência, não formando, portanto, um mercado
consumidor.
Enquanto
a indústria inglesa cresceu vendendo produtos baratos, a indústria francesa
teve de se especializar em produtos de luxo. Isto explica seu baixo
desenvolvimento.
O
termo oficina
é mais apropriado que indústria para designar as fábricas de meados dos
século XIX, porque a maior parte delas eram pequenos estabelecimentos, sem
nenhuma mecanização, com não mais de 5 operários.
A
partir de 1830, podemos dizer que a Europa já estava fortemente marcada pela
industrialização. O crescimento econômico foi acompanhado por profundas
transformações sociais. A industrialização crescente exigia a ampliação dos
mercados. O incremento da vida urbana fez crescer a classe média.
A
relação existente entre os avanços nos campos da siderurgia e da metalurgia e o
expansionismo europeu a partir de 1850 é que o progresso técnico nesses campos
deu aos europeus uma grande superioridade militar, possibilitando a eles o
domínio sobre vastas áreas do globo.
A industrialização consolidou o poder
econômico da burguesia. O crescimento da administração pública engrossou as
fileiras da classe média. Muitos camponeses europeus ainda estavam submetidos
aos grandes proprietários de terras. A aristocracia rural mantinha ainda
privilégios em várias regiões da Europa.
A derrota de Napoleão significou a
vitória das forças contrárias aos ideais da Revolução Francesa. Com isso
restaurou-se o poder dos reis destronados por Napoleão e os privilégios da
nobreza e da Igreja. Com a derrota de Napoleão, a Europa foi tomada por uma
onda conservadora.
Para o liberalismo,
o objetivo máximo da sociedade é garantir a liberdade
para os indivíduos que dela fazem parte. Esse princípio liberal é
incompatível com o absolutismo monárquico. Essa incompatibilidade explica em
grande parte as revoluções do séc. XIX.
Foi relativamente fácil para a
aristocracia sufocar, em 1820, as aspirações liberais na Itália, na Alemanha e
em Portugal, porque esses países eram economicamente atrasados e não possuíam
uma burguesia e uma classe média capazes de dar maior consistência às revoltas
liberais. Os fatores que contribuíram para a eclosão das revoltas liberais
de 1830 foram: * fortalecimento
numérico da burguesia e da classe média com a industrialização; * aconteceram
em países economicamente mais desenvolvidos; * ocorreram em um momento de
profunda crise econômica.
A burguesia passou a ter o controle
sobre o povo após as revoluções de 1830 controlando a Câmara dos Deputados
através de eleições censitárias (só
quem tinha renda alta poderia ser eleito), proibindo associações
populares e jornais de oposição e contando com a influência conservadora da
Igreja.
Quem controla o poder político
controla a sociedade, visto que é no nível político que as decisões mais
importantes são tomadas. É claro que o poder econômico vai ter uma influência
decisiva na seleção dos líderes políticos. Dessa forma, a burguesia enriquecerá
ainda mais. Ela procurará colocar o governo, as leis, a educação, o Exército, a
polícia, a Justiça e a religião a serviço de seus interesses e não das camadas
populares. Segundo a burguesia, o mundo necessitava de progresso material. E
ela se considerava o agente desse progresso. Então, nenhum obstáculo deveria
ser colocado à expansão dos seus negócios, pois isso impediria o progresso.
A burguesia controlava a economia e
era vista como agente de progresso. No entanto, o sistema legal continuava a privilegiar
as classes tradicionais: o clero e a nobreza.
Segundo a burguesia, a ascensão social devia se basear no talento e no esforço
pessoal e não na tradicional e no sangue. Passavam a idéia de que todos
poderiam ser bem-sucedidos, desde que tivessem competência.
A obrigação de todos obedecerem à
Constituição foi extremamente benéfica para a burguesia porque eliminava a
ameaça do absolutismo, e porque a Constituição era elaborada pelos
representantes da burguesia, e, portanto, contemplava os seus interesses
fundamentais.
Os regimes liberais estavam baseados
no voto seletivo: o direito de voto
concedido apenas a quem tivesse um certo nível de renda. Assim, a
burguesia mantinha seu poder e controlava tudo.
Além da burguesia, a classe média e o
operariado queriam também a igualdade política. O movimento democrático surgiu
como oposição às limitações impostas pelo liberalismo. Segundo as idéias
democráticas, o governo devia tomar medidas que diminuíssem as desigualdades
sociais.
O Movimento Cartista
ocorreu na Inglaterra na década de 40, os pobres ingleses reivindicavam
o sufrágio (voto) universal,
o voto secreto e o pagamento aos deputados por suas
funções.
A Revolução de 1848 na França,
fortaleceu a burguesia, destroçando a organização dos operários mediante dura
repressão.
Quando o governo francês decidiu
fechar as oficinas nacionais (não eram fábricas, mas
obras públicas como construção de estradas, pontes, etc... que empregava as
pessoas), os operários armaram-se para defendê-las, mas foram derrotados. Este
movimento foi chamado de LUDISMO ou Quebradores de Máquinas.
O movimento revolucionário de 1848 se
espalhou por toda a Europa. As lutas operárias conscientizam os operários e
fazem nascer as idéias socialistas. A luta passa a ser contra as injustiças
sociais e pela transformação social da sociedade.
Com os movimentos o poder da burguesia
começou a ser abalado.
Por volta de 1850 a maior parte da
classe operária inglesa vivia em situação degradante. A miséria era visível em
suas roupas e habitações, ao passo que era também contrastante com o luxo da
burguesia. Apesar das conquistas democráticas, a burguesia controlava a
sociedade. Os operários trabalhavam de 14 a 16 hs por dia, mas recebiam baixos
salários. A pobreza gerou problemas como crimes, assaltos, roubos,
assassinatos. O governo nada fazia para melhorar a situação. A exploração
ilimitada da classe trabalhadora gerou enormes lucros para burguesia.
O movimento operário inglês serviu de
modelo ao movimento de outros países. Foi na Inglaterra que nasceu o operariado
industrial moderno, suas lutas e experiências políticas serviram de orientação
para os operários de outras nações onde a industrialização foi mais tardia. Os
patrões não aceitavam associações e o governo baixou um decreto em 1799,
tornando ilegal as associações de empregados e patrões.
Os trabalhadores foram presos e processados, mas muitos patrões, por serem em
menor número, se reuniam sem despertar suspeitas. Em 1824 o decreto caiu, e os
trabalhadores puderam se organizar livremente e surgiram os sindicatos, que de 1825 a 1835 lideraram vários movimentos
na Inglaterra. Faziam greves em busca de melhores salários e condições de
trabalho. Os patrões reagiram não empregando os filiados em sindicatos. Os
operários criaram, então, sindicatos secretos. Muitos operários foram presos,
pois as associações secretas eram
proibidas.